Ao analisar o entorno e a ambiência de Miguel Burnier, somos transportados por uma viagem no tempo que abrange desde o período colonial até meados do século XX. Durante o período colonial, os assentamentos ainda não configuravam células urbanas, e as residências eram encontradas no entorno de capelas em áreas de mineração e sedes de fazendas. No entanto, poucos vestígios dessas estruturas subsistem.
Resquícios do Século XIX e XX: O século XIX até meados do século XX testemunhou a construção de conjuntos habitacionais no entorno das estações ferroviárias, próximos à ferrovia e às usinas siderúrgicas. Estas estruturas abrigavam trabalhadores e suas famílias, refletindo o impacto das atividades industriais na paisagem local. No entanto, as construções urbanas hoje são predominantemente concentradas no núcleo histórico de Miguel Burnier.
Arquitetura Rural e Sedes de Fazendas: Embora a arquitetura urbana prevaleça em Miguel Burnier, resquícios notáveis da arquitetura rural resistem ao teste do tempo. Algumas sedes de fazendas, como a Vila da Ema e outras de menor porte, constituem um conjunto arquitetônico ao redor da Estação Ferroviária de Chrockatt de Sá. Essas estruturas rurais são testemunhas silenciosas da história local, mantendo viva a conexão com as tradições do passado.

Conjunto Ferroviário: O conjunto de construções ferroviárias em Miguel Burnier destaca-se como o mais significativo do município de Ouro Preto. As estações ferroviárias de Miguel Burnier, Chrockatt de Sá e Hargreaves, entre outras, desempenharam papéis cruciais como centros de manutenção, infraestrutura ferroviária e moradias para os funcionários e suas famílias. Mesmo que algumas dessas estruturas estejam atualmente deterioradas e parcialmente descaracterizadas, elas contam a história do apogeu das ferrovias no século XIX e início do século XX, marcando um período de desenvolvimento econômico na região e na história do Brasil.
Preservando o Legado: A preservação desse conjunto arquitetônico não é apenas uma necessidade, mas uma responsabilidade de manter viva a memória e o legado da região. Essas estruturas, mesmo desgastadas pelo tempo, contam a história do progresso industrial e do transporte ferroviário que moldaram a comunidade de Miguel Burnier. A restauração dessas edificações é mais do que uma ação física; é um compromisso com a preservação da herança cultural e arquitetônica para as gerações futuras.